Agosto laranja: mês de conscientização sobre a Esclerose Múltipla

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Agosto é o mês de conscientização sobre a Esclerose Múltipla (EM). Com o objetivo de aumentar a visibilidade da doença e alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce, foi definido em 2006, o dia 30 como o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. 

A escolha desse dia foi uma homenagem a data de nascimento da fundadora da ABEM (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla). Através de uma iniciativa de Ana Maria Almeida Levy e do Dr. Renato Basile, a ABEM foi fundada em 1984. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos que presta serviços à sociedade e está associada à Federação Internacional de Esclerose Múltipla (Multiple Sclerosis International Federation), sediada em Londres, que coordena pesquisas sobre a doença ao redor do mundo.

A ABEM cumpre o papel de prestar assistência a pacientes de Esclerose Múltipla por todo o Brasil, através de seus canais online e de seu Centro de Neurorreabilitação, localizado em São Paulo. Também proporciona consultoria jurídica e serviço social para os pacientes e seus familiares.

O que é Esclerose Múltipla?

A Esclerose Múltipla (EM) foi descrita pela primeira vez em 1868 pelo neurologista francês Jean Charcot, que a chamou de Esclerose em Placas. Trata-se de uma doença neurológica, crônica e autoimune – ou seja, ocorre quando o sistema imunológico apresenta mau funcionamento e ataca os próprios tecidos e órgãos do corpo, neste caso os tecidos do sistema nervoso.

É caracterizada por áreas de danos (lesões) no cérebro e na medula espinhal. Essas lesões estão associadas à destruição da cobertura que protege os nervos e promove a transmissão eficiente de impulsos nervosos (a bainha de mielina) e danos às células nervosas. 

A Esclerose Múltipla não é uma doença contagiosa e também, não tem cura.

Então, o que causa a doença?

A EM já tem sido foco de muitos estudos ao redor do mundo, porém a causa da doença ainda é desconhecida. Contudo, acredita-se que diversas mutações genéticas estejam envolvidas no risco da doença. 

Estudos de associação genômica ampla (GWAS – do inglês Genome-wide Association Studies), mostraram que o principal sinal genético de suscetibilidade a doença está em uma variante do gene HLA-DRB1. 

Esse gene pertence ao sistema Antígeno Leucocitário Humano (HLA – Human Leukocyte Antigen), que tem a função de ajudar o sistema imunológico a distinguir as  proteínas próprias do corpo daquelas produzidas por invasores externos (como vírus e bactérias). 

Outros fatores incluem alterações no gene IL7R e fatores ambientais, como exposição ao vírus Epstein-Barr, baixos níveis de vitamina D e tabagismo. 

Como os genes HLA-DRB1 e IL-7R estão envolvidos no sistema imunológico, as alterações podem estar relacionadas à resposta autoimune que danifica a bainha de mielina e as células nervosas e leva aos sinais e sintomas da EM. No entanto, não está claro exatamente qual é o papel que as variações em qualquer dos genes desempenham no desenvolvimento da doença.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através da história clínica detalhada, associada ao exame clínico e neurológico completos e confirmados por três exames laboratoriais complementares: Ressonância Magnética, Punção Lombar e Potencial Evocado. 

Quais são os sintomas?

As lesões no cérebro e na medula espinhal causadas pela doença podem ocasionar diferentes sintomas, que podem se apresentar de forma sutil e transitória, dentre os mais comuns estão:

  • Fadiga
  • Alterações fonoaudiológicas
  • Transtornos visuais
  • Problemas de equilíbrio e coordenação
  • Vertigens e náuseas
  • Fraqueza 
  • Espasticidade (rigidez do músculo).
  • Parestesia (dormência ou formigamento de alguma parte do corpo)
  • Hiperreflexia (reflexos exagerados)
  • Transtornos emocionais (em alguns casos, os pacientes se tornam depressivos ou sofrem de excesso de ansiedade)

Além desses, o paciente também pode apresentar sintomas cognitivos durante qualquer momento da doença. As funções cognitivas que frequentemente são mais comprometidas são o processamento da memória e a execução de tarefas. 

Apesar de ser uma doença que atinge o sistema nervoso central, não é considerada fatal. A maioria das mortes associadas à EM ocorrem devido a complicações em estágios avançados e progressivos da doença. 

Quais são os tipos de Esclerose Múltipla?

Existem diversas formas de esclerose múltipla: 

  • EM Remitente-Recorrente (EMRR): é a forma mais comum, afetando aproximadamente 80% das pessoas com a doença. Indivíduos com esta forma experimentam períodos durante os quais eles possuem sintomas (chamados ataques clínicos), seguidos por períodos sem quaisquer sintomas (remissão). 
  • EM Primária Progressiva (EMPP): afeta aproximadamente 10 a 20% das pessoas com a doença e evolui sem surtos, mas com sintomas progressivos acumulados ao longo do tempo.
  • EM Secundária Progressiva (EMSP): evolui com sintomas lentos e progressivos com o tempo em indivíduos que possuem a forma EMRR inicialmente. Os sintomas podem evoluir sem surtos após 20 anos de doença.
  • EM reincidente progressiva: é a forma mais rara, no entanto, os pacientes também podem apresentar ataques clínicos de sintomas mais graves.

Qual é o melhor tipo de tratamento?

O tratamento precoce é de extrema importância, pois pode contribuir na desaceleração da progressão da doença, além de ajudar a prevenir complicações. O uso de medicamentos devem ser indicados pelo médico neurologista que vai analisar caso a caso. 

Os medicamentos que visam reduzir a atividade inflamatória e a agressão à bainha de mielina, são chamados de imunomoduladores. Outros tipos, como os imunossupressores (que reduzem a atividade ou eficiência do sistema imunológico), também têm ocupado lugar de destaque no tratamento da EM. 

Uma forma de complementação ao uso de medicamentos, é a realização de tratamento reabilitacional para reduzir a espasticidade, fadiga, depressão, entre outros sintomas. 

A neurorreabilitação também colabora na adaptação e recuperação, quando possível, e prevenção ao longo do tempo de complicações como deformidades ósseas. Dentre algumas terapias de neurorreabilitação estão: psicologia, neuropsicologia, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional

Curiosidade: Entre as opções de tratamento está o CogniFit, uma ferramenta inteligente utilizada para minimizar alguns dos sintomas da EM e que pode ser acessado via computador, tablet ou smartphone. O mecanismo tem como função principal treinar e estimular os aspectos cognitivos, com jogos que permitem avaliar o estágio do comprometimento da doença e as imunomoduladores. 

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