Fibrose Cística: uma doença genética, crônica e progressiva

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O dia 05 de setembro foi instituído como o Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística pela Lei nº 12.136/2.009, com o objetivo de conscientizar a população e os profissionais de saúde sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para a doença. 

A Fibrose Cística (FC) ou Mucoviscidose é uma doença genética, crônica, progressiva, que causa infecções pulmonares persistentes e limita as capacidades respiratórias. A FC ocorre devido ao mau funcionamento das glândulas exócrinas, responsáveis por produzir e secretar substâncias na superfície das células. 

Genética da doença

A FC está associada à mutações no gene CFTR (do inglês Cystic Fibrosis Transmembrane Regulator), presente no cromossomo 7 do genoma humano, e apresenta padrão de herança autossômico recessivo. 

O CFTR codifica uma proteína (que é chamada de proteína CFTR) que atua como um canal iônico que ajuda a manter o fluxo de sal e água na superfície das células, incluindo a superfície das células do pulmão. 

Em condições normais, o íon cloreto sai da célula atraindo a molécula da água, que lubrifica as secreções. Contudo, o mau funcionamento da saída de cloreto acarreta no acúmulo de água no interior das células impedindo a hidratação da superfície celular. Havendo pouca água, as secreções que cobrem as células se tornam mais espessas e o deslocamento delas pelo organismo mais difícil. 

O muco espesso no pulmão leva ao acúmulo de bactérias nas vias respiratórias, podendo causar inchaço, inflamações e infecções. 

Desde que foi associado pela primeira vez à FC, aproximadamente 2.000 mutações já foram identificadas no CFTR. A mutação F508del (deleção do aminoácido Fenilalanina na posição 508) é a mais frequente em diversas populações, porém enquanto em algumas populações a proporção de pacientes com F508del chega a mais de 90%, no Brasil cerca de 20 a 30% dos pacientes apresentam esta mutação em pelo menos 1 dos alelos. Esta diferença ocorre devido a grande miscigenação da população brasileira frente às outras.

Portanto, para garantia de um diagnóstico molecular mais preciso de pacientes com FC, é interessante optar pela realização de sequenciamento de nova geração (NGS) utilizando painel de CFTR com alta cobertura.

Quais são os sintomas?

Os indivíduos com mutações no CFTR, podem apresentar tanto a forma clássica da FC, caracterizada por pneumonias de repetição com ou sem envolvimento pancreático, quanto sinais mais leves da doença, que incluem pancreatite, dificuldade para engravidar nas mulheres e infertilidade masculina. Os sinais e sintomas vão variar a depender das mutações presentes no indivíduo.

Os sintomas mais comuns são:

  • Transpiração da pele com sabor salgado;
  • Tosse persistente, muitas vezes com catarro;
  • Infecções pulmonares frequentes (como pneumonia e bronquite);
  • Chiados no peito ou falta de fôlego;
  • Má absorção de nutrientes e não ganho peso, apesar da boa alimentação;
  • Evacuações diárias e eliminação de fezes volumosas, com odor forte e gordurosas.
  • Surgimento de pólipos nasais.

Formas de diagnosticar a doença

  • Teste do suor: dosagem quantitativa de cloreto em amostra de suor.
  • Teste do pezinho: deve incluir a triagem para a FC;
  • Teste genético: sequenciamento do gene CFTR inteiro ou de mutações específicas.

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