Teste genético pré-natal não invasivo (NIPT)

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Você sabia que fragmentos do DNA de um feto circulam na corrente sanguínea de sua gestante? O teste pré-natal não invasivo (do inglês, noninvasive prenatal testing, NIPT) envolve uma triagem simples em amostra de sangue que analisa esses fragmentos de DNA para identificar o risco do bebê para uma série de doenças genéticas, incluindo a síndrome de Down.

O que é o teste pré natal não invasivo? 

O NIPT é uma triagem pré-natal onde se analisa o DNA da placenta do bebê em uma amostra do sangue da mãe para identificar se há um risco aumentado da criança nascer com uma síndrome genética.

Como funciona?

O NIPT é considerado não invasivo, pois requer apenas a coleta de sangue da mulher grávida não representando nenhum risco para o feto ou para a mãe.

Durante a gravidez, a corrente sanguínea da mãe contém uma mistura de fragmentos de DNA proveniente de suas próprias células e de células da placenta. 

Diferentemente da maioria do DNA, que é encontrado dentro do núcleo de uma célula, esses fragmentos flutuam livremente e não dentro das células, e são chamados DNA livre de células (cfDNA, do inglês cell-free DNA). Esses pequenos fragmentos geralmente contêm menos de 200 pares de bases e surgem quando as células morrem ou são rompidas e seu conteúdo, incluindo o DNA, é liberado na corrente sanguínea.

Como o DNA nas células da placenta é geralmente idêntico ao DNA do feto, a análise do DNA livre de células fetal ou cffDNA (do inglês, cell-free fetal DNA) oferece a possibilidade da detecção precoce de certas anormalidades genéticas sem prejudicar o feto.

Em geral, para garantir a realização do teste, a fração fetal (proporção de cffDNA no sangue materno) deve estar acima de 4%, o que normalmente ocorre por volta da décima semana de gravidez. 

Baixas frações fetais podem levar à incapacidade de realizar o teste ou a um resultado falso negativo. Razões para frações fetais baixas incluem: teste muito cedo na gravidez, erros de amostragem, obesidade materna e anormalidade fetal.

Existem várias metodologias para analisar o cffDNA fetal. Para determinar aneuploidias, o método mais comum é contar todos os fragmentos de cfDNA (fetal e materno). Se a porcentagem de fragmentos de cfDNA de cada cromossomo é a esperada, o risco  para o feto ter uma condição cromossômica anormal diminui (resultado negativo do teste). Se a porcentagem de fragmentos de cfDNA de um cromossomo específico for maior que o esperado, o feto terá uma probabilidade maior de ter uma condição de trissomia (resultado positivo do teste), por exemplo. 

O que o NIPT pode detectar?

O NIPT é mais frequentemente utilizado para procurar anomalias cromossômicas causadas pela presença de uma cópia extra ou ausente de um cromossomo (chamadas aneuploidias).  

Atualmente, a triagem por NIPT procura pelas síndromes mais comuns:

  • Trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down);
  • Trissomia do cromossomo 18 (síndrome de Edwards), 
  • Trissomia do cromossomo 13 (síndrome de Patau) 

O teste pode incluir a triagem de anomalias cromossômicas adicionais causadas por microdeleções ou microduplicações, e também detecta cópias extras ou ausentes do cromossomo X e do cromossomo Y, podendo ser usado para identificar o sexo do bebê.

À medida que a tecnologia melhora e o custo dos testes genéticos diminui, pesquisadores esperam que o NIPT se torne disponível para várias outras condições genéticas. Atualmente, o NIPT está começando a ser usado para testar doenças genéticas causadas por alterações em genes únicos (variantes) – Ver 1. 

Observações importantes

É importante ter em mente que uma triagem como o NIPT não pode determinar categoricamente se o bebê realmente tem uma alteração genética, apenas a probabilidade de ter essa condição. 

Em alguns casos, os resultados do NIPT indicam um risco aumentado para uma anomalia genética quando o feto não é afetado (falso positivo), ou indicam um risco diminuído quando o feto é realmente afetado (falso negativo)

A precisão do teste varia de acordo com cada anomalia. Além disso, deve haver cffDNA suficiente na corrente sanguínea da mãe para que as anormalidades cromossômicas fetais sejam identificadas. 

Apesar disso, pesquisas científicas observaram que o NIPT é altamente preciso (97 a 99% de precisão) para três das condições mais comuns, síndrome de Down, síndrome de Patau e síndrome de Edwards – Ver 2.

Um resultado de triagem positivo indica que testes de diagnósticos devem ser realizados para confirmar o resultado.

Como o NIPT analisa o cfDNA fetal e o materno, o teste pode detectar uma condição genética na mãe.

Quem pode fazer o NIPT?

O NIPT pode ser realizado por mulheres de qualquer idade e etnia, a partir da décima semana de gestação.  

No entanto, o teste se mostrou menos eficaz em casos de:

  • Gravidez múltipla;
  • Obesidade materna;
  • Gravidez via óvulo doador;
  • Gravidez de menos de 10 semanas;
  • Uso de alguns anticoagulantes.

Além disso, a mulher deve receber aconselhamento adequado sobre as opções, os benefícios e as limitações da triagem do primeiro e do segundo trimestre. 

A consulta com um geneticista é essencial para discutir se a triagem por NIPT é a melhor opção e como interpretar os resultados.

Referências:

1. Skrzypek H, Hui L. Noninvasive prenatal testing for fetal aneuploidy and single gene disorders. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol. 2017 Jul; 42: 26-38.

2. Taylor-Phillips S, Freeman K, Geppert J, Agbebiyi A, Uthman OA, Madan J, et al. Accuracy of non-invasive prenatal testing using cell-free DNA for detection of down, Edwards and Patau syndromes: a systematic review and meta-analysis. BMJ Open. 2016; 6(1): e010002.

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